A fabricante chinesa de drones DJI recebe uma nova chance de escapar da lista negra
14/08/2026O aspirador de pó da DJI e a geopolítica no piso da sua sala
Você sabia que a DJI lançou um robô aspirador topo de linha chamado Romo? E já reparou que nenhum influenciador ou canal de tecnologia dos EUA está testando esse aparelho?
A resposta para esse sumiço não está na tomada ou no preço do produto, mas sim nos bastidores de Washington. Dá só uma olhada em como o buraco é bem mais embaixo:
O “round” atual nos tribunais
A DJI está travando uma briga de gente grande na justiça americana. Recentemente, um Tribunal de Apelações deu uma sobrevida para a empresa tentar sair da “lista negra” do Pentágono. O argumento da DJI venceu na primeira fase porque a justiça entendeu que o governo americano não apresentou nenhuma justificativa pública concreta de que a marca apoia o exército chinês.
Agora, o caso voltou para a primeira instância com uma ordem clara: o juiz vai ter que analisar as provas secretas de inteligência do governo (o chamado classified record). Nos EUA, a lei permite que o juiz veja esses documentos confidenciais de segurança nacional de portas fechadas, sem que o público ou a própria DJI tenham acesso a eles. O Tribunal de Apelações entendeu que o governo não pode banir a empresa com relatórios públicos vazios; se existem provas reais de espionagem ou telemetria, o juiz vai ter que checar esse arquivo secreto para validar a punição.
O sufoco financeiro que vem por aí (2027)
A DJI tem pressa nessa disputa jurídica por causa de um teto que está desabando. Em 2027, entra em vigor uma regra ainda mais agressiva: o governo dos EUA e qualquer prestador de serviço terceirizado ficam proibidos de comprar produtos da marca. Isso simplesmente aniquila a linha Enterprise da DJI (drones de engenharia, agricultura e segurança pública), que é onde o lucro real da empresa acontece.
Por que o robô Romo não é vendido nos EUA?
Sabendo que o clima em Washington está hostil, a DJI jogou na defensiva. Eles decidiram nem tentar homologar o robô aspirador Romo nos EUA. Afinal, colocar dentro de casas americanas um aparelho conectado ao Wi-Fi, cheio de câmeras e sensores LiDAR que criam um mapa 3D cirúrgico dos cômodos, seria dar mais munição para o Pentágono. Resultado? O Romo foi lançado direto na Europa e na América Latina (tanto que já tem unidades cruzando a fronteira do Paraguai para o Brasil).
E a marca não está sozinha nessa paranoia: outras gigantes chinesas do setor doméstico, como a Roborock e a Ecovacs, também entraram na mira do Congresso americano por conta do processamento de dados residenciais.
O fator “Made in USA” e a família Trump
Mas aqui é onde a história ganha um tempero puramente corporativo. Enquanto a Federal Communications Commission (FCC) cria barreiras para novos aparelhos chineses, a Casa Branca acaba de assinar um decreto impondo tarifas alfandegárias de até 100% sobre drones e componentes importados¹. A justificativa oficial é “proteger o espaço aéreo e reindustrializar o país”.
Só que esse bloqueio gerou uma valorização imediata nas ações de empresas nacionais. E quem está surfando essa onda? Donald Trump Jr. e Eric Trump. Os filhos do presidente se tornaram investidores pesados no mercado de drones domésticos.
Don Jr. é acionista e conselheiro da Unusual Machines² (uma fabricante de peças que viu suas ações decolarem após as tarifas do pai e que já abocanhou milhões em contratos com o Pentágono). Além disso, os irmãos apoiaram a expansão e fusão da Powerus³, uma empresa de drones que foi criada exatamente com o objetivo declarado de ocupar o vácuo bilionário de defesa deixado pelo banimento das marcas chinesas.
Resumo da ópera
O destino da DJI e de produtos inovadores como o Romo nos EUA parece selado. Mas a grande discussão que fica para o mercado é: o bloqueio sistemático da tecnologia chinesa é uma preocupação real com a segurança dos dados da nossa sala de estar, ou virou o pretexto perfeito para uma estrada de ouro protecionista, onde a soberania nacional e os investimentos privados da família presidencial caminham de mãos dadas? Fica aí a reflexão.
Quer acompanhar os detalhes jurídicos dessa queda de braço? O artigo completo sobre a decisão judicial está na SRN News: srnnews.com
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Fontes:
(1) Imposição de tarifas de até 100% sobre drones pesados ou com câmeras térmicas: https://www.whitehouse.gov/fact-sheets/2026/08/fact-sheet-president-donald-j-trump-bolsters-national-security-and-strengthens-u-s-supply-chains-by-imposing-tariffs-on-drones-and-their-parts-and-components/
(2) A reportagem da CNBC confirma que Donald Trump Jr. entrou no conselho consultivo da fabricante de componentes Unusual Machines e detém centenas de milhares de ações da companhia: CNBC – Drone stocks rally after Trump tariff order.
(3) A agência de notícias internacional Reuters detalhou os pormenores dessa fusão financeira da Powerus (fabricante de drones pesados e autônomos), na qual Eric e Donald Jr. aparecem como acionistas relevantes através de seus fundos e bancos de investimento: Reuters – Trump sons-backed Aureus to merge with drone maker Powerus.


