“O mundo é burro… eu também”: a frase que Frank Wang levou 10 anos para completar

“O mundo é burro… eu também”: a frase que Frank Wang levou 10 anos para completar

12/04/2026 0 Por redação

O fundador da DJI quebrou o silêncio em entrevista ao LatePost e entregou uma lição de humildade que todo empreendedor precisa ouvir

Há dez anos, Frank Wang – o fundador da DJI, maior fabricante de drones do mundo – disse algo que causou furor na indústria de tecnologia:

“O mundo é incrivelmente burro.”

A frase foi repetida, recortada, criticada e celebrada. Virou meme. Virou provocação. Virou parte da lenda de um dos engenheiros mais brilhantes da China.

Mas faltava o final.

Agora, em uma rara entrevista concedida ao site chinês LatePost – sua primeira em 10 anos – Wang finalmente completou o pensamento:

“O mundo é incrivelmente burro… e eu também.”

E ele foi além:

“Se eu pudesse acrescentar algo, diria: o mundo pode ser muito melhor, e eu também posso ser muito melhor.”

O que essa frase revela sobre Frank Wang

Quem acompanha a DJI há anos sabe que Frank Wang nunca foi um executivo “padrão”. Ele não dá palestras, não tem redes sociais, não aparece em eventos. Quando fala, cada palavra é pesada.

Nos primeiros anos da empresa, ele era conhecido por ser arrogante. Ele mesmo admite, sem rodeios:

“Eu era muito arrogante. Achava que todo mundo ao meu redor era incompetente. Na prática, eu não sabia de nada.”

Essa autocrítica é rara entre fundadores de empresas bilionárias. A DJI hoje vale centenas de bilhões de reais, domina mais de 90% do mercado global de drones de consumo e é uma das marcas chinesas mais respeitadas do mundo.

E ainda assim, Wang diz: “Eu também sou burro.”


A diferença entre “produto” e “gestão”

Durante a entrevista, Wang fez uma distinção que merece destaque:

“Fazer produto para mim é dificuldade 1. Gerenciar é dificuldade 10.”

Essa é uma confissão poderosa vinda de um gênio da engenharia:

Wang aprendeu da pior forma que saber fazer o produto é só o começo. O verdadeiro desafio de um empreendedor vem depois – é quando a empresa cresce e você precisa liderar pessoas, não apenas máquinas.

“Passei anos achando que o mundo era o problema. Depois descobri que eu também era parte do problema.”

A frase completa em contexto

Wang explicou melhor o que quis dizer:

“A frase inteira é: o mundo é incrivelmente burro, e eu também. Se eu pudesse acrescentar algo, diria: o mundo pode ser muito melhor, e eu também posso ser muito melhor.”

Essa atitude de aprendizado contínuo é o que, segundo ele, manteve a DJI relevante por tanto tempo em um setor tão competitivo.

Ele continua:

“Isso não é falsa modéstia. É a constatação de que sempre há espaço para aprender. Sempre há espaço para melhorar. O dia em que você acha que já sabe tudo é o dia em que começa a declinar.”


O que isso significa para nós, pilotos de drone?

Você pode estar se perguntando: “O que isso tem a ver com drones?” Tudo.

Frank Wang não é apenas o CEO da DJI. Ele é o principal responsável pelos equipamentos que você usa para voar. Cada inovação, cada correção de rota, cada nova tecnologia que chega aos seus hands – tudo isso passou pela mente e pelo crivo dele. Saber que ele é humilde o suficiente para reconhecer seus próprios erros é um sinal de que a DJI continua no caminho certo.

É fato: Empresas cujos líderes acham que já sabem tudo tendem a:

  • Ignorar feedback dos clientes
  • Parar de inovar
  • Ser surpreendidas por concorrentes

Empresas cujos líderes reconhecem que ainda têm muito a aprender tendem a:

  • Ouvir ativamente quem está a sua volta
  • Melhorar continuamente seus produtos
  • Se antecipar às mudanças do mercado

Acreditamos que Wang parece estar no segundo grupo. E isso é ótimo para quem voa com equipamentos DJI.

Três lições que podemos tirar dessa declaração

1. Humildade não é fraqueza – é inteligência

Wang poderia facilmente se gabar de tudo que construiu. Em vez disso, escolheu dizer: “Eu também sou parte do problema.” Isso não é falsa modéstia. É a consciência de que o sucesso nunca é obra de uma só pessoa.

2. Saber fazer o produto não é suficiente

Wang é um gênio da engenharia. Mas ele admite que a parte mais difícil da DJI não foram os drones – foi gerenciar pessoas. Para qualquer piloto que sonha em empreender no setor de drones (seja como prestador de serviços, lojista ou criador de conteúdo), essa é uma lição valiosa.

3. O aprendizado nunca termina

Aos 40 e poucos anos, bilionário, líder de uma empresa global, Wang diz: “Ainda posso ser muito melhor.” Se ele ainda tem margem para melhorar, quem somos nós para achar que já sabemos tudo sobre voar, filmar ou empreender?


Para refletir (e comentar)

“Você já teve que engolir o orgulho e admitir que estava errado? Como isso mudou sua forma de trabalhar ou pilotar?”

Deixe sua resposta nos comentários aqui no Drone Friendly. Vamos trocar ideias!

O que vem por aí

Este é o primeiro post de uma série de 5 sobre a entrevista de Frank Wang ao LatePost. Nos próximos dias, vamos publicar:

Série: Entrevista com Frank Wang
✅ “O mundo é burro… eu também” (humildade e autocrítica)
O caos que quase destruiu a DJI por dentro (crise e corrupção)
Por que a DJI NÃO fez carros (estratégia e foco)
A DJI é uma “Escola de Executivos” (talentos e rotatividade)
A história emocionante do nome DJI (origem e significado)

Fique ligado! 🔔

Créditos: Conteúdo baseado na entrevista exclusiva de 19 horas concedida por Frank Wang (Wang Tao) ao LatePost (China), publicada em abril de 2026. O Drone Friendly agradece e recomenda a leitura da íntegra (em chinês) para quem quiser se aprofundar. E adianto, vai ser difícil: O que circulou na imprensa até agora são resumos e interpretações de veículos de tecnologia. O texto original completo (cerca de 20 mil caracteres chineses) não está disponível  nos resultados de busca. Ele pode estar atrás de paywall no site da LatePost (WeChat ou aplicativo próprio).
Foto: HKUST Alumni – Hong Kong University of Science and Technology.